quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Sou de uma época em que a polícia, quando subia o morro, era com quatro, no máximo cinco agentes.E a bandidagem tinha medo, corriam, se escondiam, inclusive bandido até se vestia de mulher para passar despercebido.Tempo bom!. Tempo em que desvio de conduta de policial era cobra, cavalo, macaco.Bandido, só atacava policial, se tivesse certeza do pinote, ou seja, de fuga.Conheci policiais, como Milton Le Coq e Perpétuo de Freitas, que subiam favela sozinhos, para prender bandido.E prendiam, desciam o morro com ele, algemado ou então o deixavam, estirado no chão, morto, se houvesse resistência.Assim eram nossos policiais.Respeitados, porque não se envolviam com criminosos.E não eram policiais honestíssimos, não, pois recebiam propina do jogo do bicho. Na polícia conheci policiais honestíssimos, como os comissários Maurício Links e Cipriano Feijó.Links se aposentou como Juiz titular da 32a. Vara Cível e Feijó, como brilhante membro do Ministério Público.Pessoas que honraram os quadros da polícia civil foram os delegados Aladir Ramos Braga, Gil Castelo Branco, Paulo Coelho, Paulo Kraus, Roberto Vilarinho, um dos mais brilhantes peritos grafotécnicos que atua até hoje nesse ramo, designado por juizes da capital, Mário Covas, baixinho, adorava uma "loura gelada", dono de um bar no Engenho de Dentro, onde bebia e podia ir embora sem pagar.Honestíssimos policiais, elegantíssimos, incorruptíveis. Que as cúpulas das corporações civil e militar levavam dinheiro, isso era do conhecimento de toda a população, mas, dinheiro de contravenção. De criminosos, não! Muito menos de assaltantes e traficantes de drogas.Com essa espécie de bandido não havia acordo. Por isso, quando a polícia começou a tratar de assuntos de corrupção com bandidos, em função da forte repressão ao jogo do bicho feita pelo então Secretário de Segurança do Rio, General Luiz de França Oliveira, o assaltante Lúcio Flávio Villar Lírio mandou o seguinte recado para o Homem de Ouro Mariel Mariscotte de Matos, ao saber que o policial queria que ele, Lúcio Flávio, trabalhasse para ele, Mariel: - "Bandido é bandido e polícia é polícia ". Da década de setenta para cá os aparelhos policiais civil e militar, se deterioraram de forma assustadora. Atualmente, qualquer cidadão tem medo de entrar numa delegacia ou parar numa blitz nas ruas do Rio.Mesmo que o contribuinte esteja em dia com suas obrigações, os policiais pedem dinheiro, sob alegação de que vão fazer verificação da documentação apresentada. O que pode demorar horas.Esse é o momento que vivemos: somos refens e vivemos presos devido o medo de sair às ruas, a qualquer hora do dia ou da noite. Nesse quadro em que toda a cúpula da PM está envolvida em corrupção, dinheiro, inclusive empregnado com cheiro de maconha, com que moral um policial vai subir à comunidade para prender alguém, para ensinar boas regras de vida, mostrar para crianças que o crime não compensa? Felizmente temos de dar graças a Deus pelo momento de liberdade democrática em que vivemos, pois, casos como esse de alta corrupção, em outras épocas, seria varrido para baixo do tapete no curso de um "rigoroso inquérito" para culpar quem quer que seja " doa a quem doer". Nunca fui vidente. Mas, um dia, na década de setenta, na mesa de um bar nas esquinas das Avenida Gomes Freire e Rua da Relação, falei a um grupo de repórteres de polícia, àquela época credenciados no Gabinete da Secretaria de Segurança, a propósito de uma tentativa de resgate de preso, na Rua Frei Caneca: - Do modo que a coisa está, bandido não vai respeitar a polícia e nós vamos noticiar invasão de delegacias.Infelizmente, isso e muito mais é o que estamos vendo agora. Já naquela época alguns delegados pediam aos seus chefes de SVIG - Serviço de Vigilância e Investigações Gerais,órgão mais importante de uma dependência policial, se podiam mandar fazer determinadas investigações.Era o detetive chefe da SVIG que mandava na DP.Assim como muitos praças da PM, mandavam em oficiais. Um dos casos de que eu tive conhecimento, deu-se no QG da corporação. Um coronel foi ao comando, dizer que se sentia envergonhado por morar de aluguel, num prédio em Icaraí, Niteroi, onde um cabo PM era dono de uma cobertura. Para acabar o constrangimento o coronel foi aconselhado a mudar-se para outro local.E ele foi...